IAAF

nosso patrono

O Instituto Afranio Affonso Ferreira (1916-2000) aproveita a experiência de vida de seu patrono. Depois de formado em agronomia na ESALQ, em Piracicaba, turma de 1937, Afranio fez carreira no ramo de fabricação e revenda de maquinas para obras públicas de infra-estrutura de estradas, barragens, etc. Seus laços de negócios e emprego permitiram-lhe assimilar a cultura da Caterpillar e da American Hoist, percebendo a alta prioridade dada naqueles ambientes à questão de treinamento, o que foi visceralmente incorporado em seus empreendimentos. Afranio fundou, nos anos 50, com os irmãos, a Bahema e a Tema Terra. Não obstante a maior delas nao tenha, em vida do pioneiro, passado de 600 empregados e US$ 30 milhões de faturamento nos áureos tempos da década de 70, sempre foram arrojadas em termos de empreitadas e oportunidades para ascensão em suas hierarquias.

Embora inseridas em terras de coronéis, nelas com vanguarda praticou-se administração participativa. Para tanto foi necessário um consistente esforço de capacitação de mão de obra. Nenhum constrangimento geográfico ou de orçamento inibiu tais projetos, que incluíram idas de consultores à Bahia, estadias de técnicos na Austrália e de mecânicos nos Estados Unidos, entre outros.

Afranio era muito impressionado com dois fenômenos que via presentes em abundância no Nordeste do Brasil: a falta de capacitação profissional lado a lado com uma fartura de talentos. Povo sofrido esse, a vida lhes ensina fazer do pouco muito. Gente fissurada por aprender, qualquer oportunidade de adquirir técnicas cai-lhes como a chuva sobre o sertão ressecado.

A empreitada capacitadora não se limitou às empresas e aos cursos regulares para seus mecânicos, soldadores, staff de escritório, etc. Nos anos 70 criou-se a Escola Manoel Affonso Ferreira para jovens carentes, com unidades em Teresina, São Luis e Aracaju. E aqui a palavra carente não é eufemismo, podendo um exemplo até soar brincadeira: um candidato não foi admitido porque sua renda familiar destoava dos outros, a família era dona de uma vaca.

Tratava-se de réplica das Escolas Linck, de Porto Alegre. Infelizmente a crise aguda da construção de infra-estrutura no país obrigou ao fechamento provisório das escolas MAF.

Em 2003 os filhos de Afranio decidiram retomar o projeto de capacitação devidamente adaptado a uma nova realidade. Ainda com a mesma alma, o mesmo espirito, mas não mais pela operação de uma escola. Com a venda da Bahema Equipamentos a família já não tem acesso facilitado aos recursos de treinamento de fábricas, então o IAAF agora propõe-se a catalizar iniciativas de capacitação já existentes. Segundo pesquisa da Fundação Odebrecht igrejas, associações de bairro e sindicatos mantêm no Brasil 1.686 entidades não-formais (ie, fora do Sistema "S") de capacitação. É com instituições desse tipo que o IAAF quer trabalhar.